Ofensiva ocorre em meio à pressão do presidente Donald Trump para reabrir a rota crucial para o comércio global de petróleo
As Forças Armadas dos EUA lançaram bombas guiadas de penetração profunda contra instalações de mísseis iranianas ao longo do Estreito de Ormuz, anunciou o Comando Central dos Estados Unidos nesta terça-feira (17). A ofensiva ocorre em meio à pressão do presidente Donald Trump para reabrir a rota crucial para o comércio global de petróleo.
“Há poucas horas, forças dos EUA empregaram com sucesso múltiplas munições de penetração de 5.000 libras (2.300 kg) contra instalações de mísseis iranianas fortificadas ao longo da costa do Irã, próximas ao Estreito de Ormuz”, informou o CENTCOM em publicação no X na noite desta terça.
“Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nesses locais representavam um risco para o transporte marítimo internacional no Estreito”, acrescentou o Comando Central.
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Um funcionário dos EUA afirmou que as munições eram a GBU-72 Advanced 5K Penetrator, uma bomba utilizada por aeronaves americanas pela primeira vez em 2021.
A arma “foi desenvolvida para superar os desafios de atingir alvos fortificados profundamente enterrados”, segundo um comunicado da Força Aérea em 2021. Em um vídeo publicado no Facebook em 2023 pela Base Aérea de Nellis, militares descreveram a munição como “diferente de tudo que temos atualmente
“Este é um sistema guiado por GPS, em vez de guiado a laser, então faça chuva, sol ou neve, atingirá o alvo”, disse o sargento da Força Aérea Zachary Schaeffer no vídeo de 2023.
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado devido a ameaças do Irã de atacar navios dos EUA, de Israel e de seus aliados. O almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, afirmou na segunda-feira que os EUA “continuarão a reduzir rapidamente a capacidade do Irã de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e em seus arredores”.
Nesta terça, Trump disse acreditar que “não vai demorar muito” até que o Estreito de Ormuz esteja seguro, após anunciar que países da Otan não vão participar da guerra contra o Irã. “Não vai demorar, eu não acredito, muito tempo. Estamos atacando fortemente a costa”, afirmou Trump aos repórteres.
O presidente americano vinha pedindo publicamente que aliados se envolvessem para ajudar os EUA a proteger essa importante rota de transporte de petróleo. Diante da negativa, ele disse não precisar de ajuda pra reabrir o Estreito.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou na noite desta terça-feira, 17, que as forças do país realizaram ataques com bombas de penetração profunda contra instalações de mísseis iranianas próximas ao Estreito de Ormuz.
“Há algumas horas, as forças dos Estados Unidos empregaram com sucesso múltiplas munições penetradoras profundas de 5.000 libras contra instalações de mísseis iranianas fortificadas ao longo da costa do Irã, próximas ao Estreito de Ormuz”, diz o comunicado. “Os mísseis de cruzeiro antinavio iranianos nesses locais representavam um risco para a navegação internacional no estreito.”
O Estreito de Ormuz se tornou parte central do conflito generalizado no Oriente Médio após os ataques de Israel e Estados Unidos ao Irã. O regime dos aiatolás, que controla a passagem junto com Omã, afirmou ter fechado a rota, caminho de cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo.
Diante da escalada de preços do petróleo brent nos últimos dias e do temor que esse aumento possa pressionar a inflação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem tentando reabrir a passagem. Inicialmente, instou países aliados a se juntarem aos EUA para forçar a abertura, mas diante da negativa das outras nações, afirmou, nesta terça, que “nunca precisou” de ajuda.
“Não me surpreende a ação deles, porque sempre considerei a Otan, onde gastamos centenas de bilhões de dólares, como uma via de mão única: nós os protegemos, mas eles não farão nada por nós, especialmente em tempos de necessidade”, disparou o republicano. “Felizmente, dizimamos as Forças Armadas do Irã, e por termos tido tanto sucesso militar, não precisamos ou desejamos a assistência dos países da Otan — NUNCA PRECISAMOS.”
Bloqueio
Rota fundamental para o comércio global de petróleo, o Estreito de Ormuz foi parcialmente bloqueado pelo Irã como retaliação ao ataque conjunto promovido por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Com a medida, que aumenta o preço dos combustíveis em todo mundo, Teerã visa forçar a comunidade internacional a exigir o fim dos ataques da coalizão em troca da reabertura do canal.
“O Estreito de Ormuz não pode voltar a ser o mesmo de antes e retornar às suas condições anteriores, já que não há segurança alguma”, disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, responsabilizando a ofensiva de Washington-Tel Aviv pelo cenário atual.
Aproximadamente 14 milhões de barris passam através da rota localizada no Golfo Pérsico diariamente, e o congestionamento provoca incertezas no valor médio da commodity. O barril Brent, referência internacional do preço do petróleo, chegou a ser negociado acima de US$ 100 devido à obstrução, definida pela Agência Internacional de Energia como a maior interrupção na oferta da história do mercado global.

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